Labirintite

Informações Gerais
Labirintite é um termo leigo, bastante usual, para designar as labirintopatias, ou seja, as doenças que afetam o labirinto – órgão que fica na parte interna do ouvido e é responsável por receber, codificar e transmitir informações para o cérebro sobre os sons e os deslocamentos do corpo –, suas vias de ligação e mesmo as áreas cerebrais relacionadas com a audição e o equilíbrio. Calcula-se que existam mais de 300 moléstias que acometem o labirinto, com mais de 2 mil causas já identificadas. Segundo o Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos, 42% da população geral já sentiu algum tipo de tontura na vida e, em pelo menos 95% dos casos, a origem do sintoma tinham relação com distúrbios do labirinto. O problema atinge pessoas de todas as idades, com predileção pelos idosos. Apesar da crença de que a labirintite não tem cura, quando bem diagnosticada e tratada, o portador da condição obtém índices de melhora da ordem de 90%.

Causas e Sintomas
A tontura está no relato de qualquer portador da condição, mas a descrição correta do que se sente na labirintite corresponde mesmo à vertigem, na qual a pessoa vê os objetos do ambiente rodando ao seu redor ou tem a sensação de que seu corpo gira em relação ao ambiente, seja de modo constante, seja quando movimenta a cabeça. Esses sinais podem ser ou não acompanhados de náuseas, vômitos, suor excessivo, angústia, alterações gastrointestinais e manifestações auditivas, como perda de audição, sensação de ouvido tapado e zumbido. O conjunto completo de sintomas, incluindo os auditivos, está bastante associado à doença de Ménière, uma das labirintopatias mais comuns em adultos dentre os 300 tipos existentes.

Como já mencionado, mais de 2 mil causas de distúrbios do labirinto já foram identificadas, mas, do meio de todas essas, há um grupo mais comum, responsável pela maioria dos casos. Nesse conjunto estão processos infecciosos, a exemplo das infecções virais de vias aéreas superiores, erros alimentares, problemas metabólicos, sobretudo os relacionados com o metabolismo do açúcar, uso de medicações tóxicas para os ouvidos, como determinados antiinflamatórios, diuréticos e antibióticos, algumas doenças preexistentes, tais como diabetes, tumores, distúrbios da tiróide e hipertensão arterial, alterações bruscas da pressão atmosférica, como as que ocorrem em aviões ou em mergulhos, consumo excessivo de doces, abuso de drogas ilícitas, traumas sonoros e de cabeça e pescoço, problemas de coluna cervical, doenças psiquiátricas e aterosclerose, ou seja, a formação de placas de gorduras nas artérias por excesso de colesterol na circulação. Café, fumo, estresse e bebidas alcoólicas são coadjuvantes importantes. Em idosos, freqüentemente a origem da vertigem se encontra na migração indevida de partículas de carbonato de cálcio que existem na parte do labirinto que responde à ação da gravidade – a mácula do utrículo – para a parte desse órgão que reage aos movimentos da cabeça – os canais semicirculares. Esse fenômeno, chamado de vertigem posicional paroxística benigna, pode ocorrer por vários motivos, de alterações metabólicas a traumas.

Exames e Diagnósticos
O diagnóstico combina a avaliação otoneurológica, a história do indivíduo e seus antecedentes de saúde, para ajudar a investigação das possíveis causas, e testes específicos para avaliar a audição e o equilíbrio. Esses exames são muito simples, rápidos e não causam desconforto, a ponto de muitos dos recursos próprios para medir o equilíbrio serem feitos por meio da observação do movimento dos olhos da pessoa, já que a movimentação ocular está funcionalmente relacionada com o labirinto. Há uma enorme gama dos chamados testes labirínticos, mas eles são realizados de acordo com a necessidade de cada pessoa, sem uma seqüência predeterminada. Os resultados das avaliações básicas podem indicar a necessidade de testes mais avançados. O objetivo é identificar o nível de localização do distúrbio e o lado acometido, além de graduar a intensidade da doença. A tomografia computadorizada e a ressonância magnética de cabeça também podem contribuir com a investigação, uma vez que mostram alterações compatíveis com as labirintopatias.

Tratamento e Prevenção
O tratamento depende da causa da labirintite, mas, em geral, utiliza medicamentos, manobras de reabilitação corporal, prática orientada de exercícios físicos, correção alimentar e até cirurgias, sendo sempre acompanhado da suspensão de fatores que possam estar na fonte do problema ou mesmo no agravamento das crises, como medicamentos, cigarro, café, drogas e bebidas alcoólicas, e também da abordagem terapêutica das doenças que eventualmente estejam desencadeando o processo. É claro que essas medidas são combinadas conforme a necessidade de cada pessoa. Na vertigem posicional paroxística benigna, por exemplo, mais freqüente nos idosos, a base do tratamento é a reabilitação, sem medicamentos. Ou seja, o indivíduo aprende manobras para mandar as pedrinhas de carbonato de cálcio para seu devido lugar. Por ter tantas variáveis envolvidas, é interessante que a labirintite seja tratada por uma equipe multidisciplinar, composta de otorrinolaringologista, psicólogo, nutricionista, neurologista, fonoaudiólogo e fisioterapeuta.

Levar uma vida saudável ajuda a evitar muitos tipos de labirintite. Essa estratégia inclui a prática regular de exercícios, que comprovadamente ajuda a evitar problemas metabólicos, a ingestão de muito líquido para eliminar as toxinas do organismo e a distância de maus hábitos como o tabagismo e o excesso de café e bebidas alcoólicas. É importante fracionar bem a dieta ao longo do dia, evitando o consumo de grandes quantidades de alimentos, sobretudo doces, e também largos espaços sem nenhuma ingestão alimentar. O ideal é fazer refeições de três em três horas. Por fim, qualquer pessoa deve procurar um especialista aos primeiros sintomas de vertigem e não tomar nenhum medicamento sem prescrição médica. É a falta de um bom diagnóstico que faz com que os distúrbios do labirinto pareçam um problema sem solução.

Fonte: Assessoria Médica Fleury.
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