Enxaqueca

Informações Gerais
Também chamada de migrânea, a enxaqueca não é apenas um dos tipos mais comuns de cefaléia, mas uma síndrome neurológica decorrente de alterações bioquímicas no cérebro. Essa condição se caracteriza por dor de cabeça de intensidade moderada a forte, acompanhada de outros sintomas muitas vezes incapacitantes, os quais se manifestam em crises que podem durar de 4 a 72 horas. A condição é muito freqüente na população mundial, inclusive entre crianças, afetando 20% das mulheres e de 5% a 10% dos homens, segundo a Sociedade Brasileira de Cefaléia. Em geral, começa antes dos 40 anos e, ao contrário de tantas outras doenças, regride com o passar do tempo, precisamente depois dos 55 anos. Na prática, porém, poucas pessoas procuram os serviços médicos por causa das manifestações e muitas não sabem reconhecer os episódios como enxaqueca. Apesar disso, a condição não deve ser vista como algo normal, mas como uma doença que pode ser controlada com tratamentos que, se não forem capazes de prevenir as crises, conseguirão pelo menos abreviá-las com eficácia.

Causas e Sintomas
Além de dor de cabeça latejante, as crises de enxaqueca incluem intolerância a luzes, ruídos e cheiros, assim como náuseas e vômitos, agravando-se com movimentos súbitos, inclinação da cabeça, atividade física e esforço mental. Os episódios geralmente são precedidos de fenômenos neurológicos transitórios chamados de aura, que avisam o indivíduo da iminência da crise. As auras mais comuns são as visuais, nas quais a pessoa enxerga pontos e linhas brilhantes que começam pequenos e aumentam progressivamente, chegando a tomar boa parte de seu campo visual. Outras auras incluem dormência de algum membro, como lábios, língua e pontas dos dedos, incapacidade para falar e fraqueza de um dos lados do corpo. Ao fim de uma crise, muitas vezes o indivíduo ainda se sente esgotado e doente, com tolerância limitada para atividades mentais ou físicas.

O caráter hereditário da enxaqueca já está bem estabelecido por pesquisas. Na prática, a pessoa nasce com uma predisposição genética para apresentar as alterações bioquímicas cerebrais que dão origem à síndrome e, diante de uma situação que serve de gatilho, manifesta a crise. Os fatores que efetivamente desencadeiam os episódios de dor de cabeça e mal-estar variam de pessoa para pessoa, mas costumam incluir estresse físico e emocional, determinados alimentos – como queijo, chocolate, frutas cítricas, condimentos e comidas gordurosas –, bebidas alcoólicas, sobretudo o vinho tinto, privação ou excesso de sono, jejum, viagens aéreas longas, exposição a ruídos, odores fortes e temperaturas elevadas, privação de cafeína em grandes consumidores de café, uso de medicamentos vasodilatadores, mudanças climáticas e alterações hormonais, a exemplo da menstruação.

Exames e Diagnósticos
O neurologista consegue diferenciar a enxaqueca de outras cefaléias pelo quadro clínico, que costuma ser bem característico, embora o indivíduo nem sempre apresente todos os sintomas da migrânea e pelo exame físico e neurológico minucioso. De qualquer forma, se o médico precisar excluir outras causas de dor de cabeça antes de instituir o tratamento, como doenças infecciosas e tumores, poderá ser necessária a realização de exames de imagem, como ressonância magnética, tomografia computadorizada e radiografia de crânio, e do eletroencefalograma, que consiste no registro da atividade elétrica cerebral.

Tratamento e Prevenção
O tratamento varia conforme a intensidade das crises. As leves costumam melhorar com medidas simples, como sono ou repouso, e podem ser aliviadas com analgésicos comuns. Já as mais fortes requerem medicamentos específicos para enxaqueca, os chamados triptanos, que agem nos mecanismos que desencadeiam a dor, contraindo seletivamente os vasos sangüíneos cerebrais que incham durante os episódios. Quando as manifestações são muito incapacitantes, o neurologista pode sugerir a administração de fármacos neuromoduladores, não-específicos para enxaqueca, com o intuito de tentar evitar as crises. Entre os mais usados com essa finalidade estão os antidepressivos tricíclicos, os betabloqueadores – largamente empregados na área de Cardiologia – e os anticonvulsivantes. O tratamento também pode incluir estratégias não-medicamentosas, a exemplo de técnicas de relaxamento, dieta, fisioterapia, psicoterapia e acupuntura para aumentar o relaxamento e aliviar dores.

Não dá para evitar a predisposição genética à enxaqueca, mas seguramente é possível driblar muitos dos gatilhos que podem levar uma pessoa a ter alguma crise ao longo de sua vida com algumas mudanças no estilo de vida. Entre elas, recomenda-se distribuir adequadamente a carga de trabalho, evitando acúmulo e estresse, não estender o sono além do horário usual de acordar, manter horários regulares para as refeições, reduzir o consumo de chá e café, não usar analgésicos sem prescrição médica, não se expor a luzes, cheiros e ruídos fortes e não se exercitar em dias de muito calor. Para quem já tem crises, ainda que leves, o conhecimento e, consequentemente, o controle dos fatores desencadeantes se mostram vitais na prevenção dos episódios.



Fonte: Assessoria Médica Fleury.
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