Os maiores avanços no controle e no diagnóstico das SPNs incluem a detecção de anticorpos antineuronais, a melhora na caracterização das principais síndromes e o uso da tomografia por emissão de pósitrons (PET) para o diagnóstico dos quadros clínicos em tumores iniciais. Além disso, a definição de um critério diagnóstico facilitou o reconhecimento precoce e o tratamento desses quadros.
Principais síndromes clínicas
| Topografia | Clássicas | Não clássicas |
| Encéfalo, nervos cranianos e retina | Degeneração cerebelar Encefalite límbica Encefalomielite Opsoclonus-mioclonus | Encefalite de tronco cerebral Neurite óptica Retinopatia associada a neoplasia Retinopatia associada a melanoma |
| Medula espinhal | Síndrome stiff-person(indivíduo rígido)* Mielite Mielopatia necrosante Síndromes do neurônio motor | |
| Junção neuromuscular | Síndrome miastênica Lambert-Eaton | Miastenia gravis |
| Sistema nervoso periférico ou músculos | Neuropatia sensitiva Pseudo-obstrução intestinal Dermatomiosite | Neuropatia sensitiva motora Neuropatia e paraproteinemia Neuropatia com vasculite Neuromiotonia adquirida Polimiosite Neuropatia autonômica Miopatia aguda necrosante |
Principais anticorpos antineuronais identificados e síndromes clínicas associadas
| Anticorpo | Síndromes clínicas | Neoplasias associadas |
| A - Anticorpos antineuronais mais frequentes | ||
| Anti-Hu (ANNA-1) | Encefalomielite paraneoplásica (cortical, límbica, do tronco cerebral e mielite) Degeneração cerebelar paraneoplásica Disfunção autonômica Neuropatia sensitiva paraneoplásica | Neoplasia pulmonar de pequenas células |
| Anti-Yo (PCA-1) | Degeneração cerebelar paraneoplásica | Câncer ginecológico e de mama |
| Anti-Ri (ANNA-2) | Encefalite de tronco cerebral paraneoplásica Degeneração cerebelar paraneoplásica Opsoclonus-mioclonus | Neoplasia pulmonar de pequenas células Câncer ginecológico e de mama |
| Anti-CV2/CRMP-5 | Encefalomielite paraneoplásica Degeneração cerebelar paraneoplásica Coreia, uveíte e neurite óptica Neuropatia periférica | Neoplasia pulmonar de pequenas células Timoma e outros |
| Antianfifisina | Síndrome Stiff-person Encefalomielite paraneoplásica Encefalite límbica Mielopatia | Neoplasia pulmonar de pequenas células Câncer de mama |
| Anti-Ma 1 e Anti-Ma 2 | Encefalite límbica, hipotalâmica e de tronco cerebral | Tumores de células germinativas do testículo Neoplasia pulmonar de não pequenas células Outros tumores sólidos |
| B - Anticorpos antineuronais parcialmente caracterizados | ||
| Anti-Tr | Degeneração cerebelar paraneoplásica | Linfoma de Hodgkin |
| ANNA-3 | Várias síndromes paraneoplásicas do SNC | Neoplasia pulmonar de pequenas células |
| PCA-2 | ||
| C - Anticorpos antineuronais com ou sem neoplasia | ||
| Anti-VGKC | Encefalite límbica Neuromiotonia adquirida | Timoma Neoplasia pulmonar de pequenas células |
| Anti-VGCC | Síndrome miastênica Lambert-Eaton Degeneração cerebelar paraneoplasica | Neoplasia pulmonar de pequenas células |
| Anti-AChR | Miastenia gravis | Timoma |
| Anti-nAChR | Disautonomia subaguda | Neoplasia pulmonar de pequenas células |
| Anti-GAD | Encefalite límbica e ataxia cerebelar Síndrome Stiff-person | Timoma |
![]() | Anticorpos incluídos nos painéis realizados no soro e no líquor |
![]() | Anticorpos pesquisados em um painel específico, realizado no soro* |
![]() | Anticorpos incluídos somente no painel realizado no soro* |
O diagnóstico inicial das síndromes paraneoplásicas é direcionado para as síndromes clínicas clássicas em associação com anticorpos antineuronais ou com uma neoplasia identificada. Entretanto, nem todos pacientes têm quadro clínico clássico ou possuem anticorpos caracterizados. Assim, foram definidos critérios diagnósticos para as síndromes paraneoplásicas.
Síndrome paraneoplásica definida
1 - Síndrome clínica clássica com neoplasia diagnosticada até cinco anos após o início dos sintomas neurológicos
2 - Síndrome clínica não clássica que melhora após tratamento da neoplasia sem imunoterapia concomitante
3 - Síndrome clínica não clássica com neoplasia diagnosticada até cinco anos após o início dos sintomas neurológicos e anticorpos antineuronais positivos
4 - Síndrome clínica clássica ou não, sem diagnóstico de neoplasia, mas com anticorpos antineuronais positivos (antiHu, anti-Yo, anti-CV2/CRMP-5, anti-Ri, anti-Ma 2 ou antianfifisina).
Síndrome paraneoplásica possível
1 - Síndrome clínica clássica com alto risco de neoplasia, sem anticorpos antineuronais
2 - Síndrome clínica clássica ou não, sem diagnóstico de neoplasia, mas com anticorpos antineuronais parcialmente caracterizados
3 - Sindrome clínica não clássica com neoplasia diagnosticada até dois anos após o início dos sintomas neurológicos e sem anticorpos antineuronais
Considerando as principais síndromes clínicas, os pontos principais no diagnóstico das síndromes paraneoplásicas são a rápida instalação dos sintomas e sinais de inflamação no liquido cefalorraquidiano, que incluem pleocitose moderada com predomínio linfomonocitário, aumento de proteínas, aumento do índice de IgG e presença de bandas oligoclonais. As alterações da análise do liquor podem ser recorrentes, mas geralmente estão presentes nos três primeiros meses do quadro neurológico. Em cerca de 70% dos indivíduos com quadro sugestivo de síndrome paraneoplásica, os sintomas neurológicos são a principal manifestação da neoplasia. Desses sujeitos, de 70% a 80% terão diagnóstico da neoplasia com exames de imagem como tomografia de tórax, abdome e pelve ou com a utilização de PET. Os teratomas são mais bem avaliados com tomografia convencional, ressonância ou ultrassonografia pélvica e transvaginal. Neoplasias testiculares de células germinativas intratubulares podem não ser acessíveis pelos métodos atuais, o que requer a repetição da ultrassonografia e a investigação de microcalcificações e possível biópsia.
O objetivo da abordagem das síndromes paraneoplásicas é permitir o diagnóstico precoce da neoplasia, já que o tratamento do tumor é o principal tratamento do quadro neurológico para estabilizar o quadro clínico. As síndromes clínicas são inespecíficas e o diagnóstico diferencial da etiologia deve incluir a investigação das síndromes paraneoplásicas com a pesquisa de anticorpos antineuronais no soro ou no liquor. A detecção desses anticorpos por meio de uma pesquisa ampla por painéis permite o diagnóstico rápido e pode direcionar a conduta quanto à investigação e ao tratamento da neoplasia de base.
Fonte: http://www.fleury.com.br/



