Embora existam poucos estudos controlados que demonstrem o impacto do rastreamento do CHC sobre a mortalidade em populações de risco, há relativo consenso a respeito dos grupos que podem se beneficiar dessa estratégia. São elegíveis os pacientes cirróticos de qualquer etiologia, com destaque para hepatites virais, cirrose biliar primária estágio 4, hemocromatose genética e deficiência de alfa-1-antitripsina, assim como os portadores de hepatite B não cirróticos: acima dos 40 anos para asiáticos do sexo masculino, acima de 50 anos para asiáticos do sexo feminino e em qualquer idade para africanos, afro-americanos e indivíduos com história familiar de CHC. O rastreamento deve ser feito com ultrassonografia (US) a cada seis meses, dada a sua efetividade em relação ao custo, com sensibilidade em torno de 80% e ausência de complicações.
Qualquer lesão nodular que não estava presente em um exame anterior, bem como aquelas que exibem crescimento em exames sequenciais, é considerada anormal em um paciente de risco e merece investigação subsequente. A maioria dos nódulos menores que 1 cm não corresponde a CHC, sendo recomendada apenas a diminuição do intervalo entre os exames, usualmente para três meses. Lesões maiores que 1 cm devem ser avaliadas com tomografia computadorizada (TC) em 3-4 fases ou ressonância magnética (RM) com contraste dinâmico: se dois desses exames demonstrarem características típicas de CHC – intenso realce na fase arterial, podendo tornar-se isoatenuante ao fígado normal na fase portal e hipoatenuante (washout) na de equilíbrio –, está confirmado o diagnóstico. Se tais sinais não estiverem presentes ou forem discordantes entre os exames, a biópsia é recomendada.
A biópsia de nódulos hepáticos pode ser guiada por US ou TC, conforme a localização e as características da lesão aos métodos de imagem. Quando o nódulo e todo o trajeto da agulha, desde a pele até o local da biópsia, é visível pela US, esse é o método de escolha para guiar o procedimento, com as vantagens de proporcionar rapidez e análise em tempo real da progressão da agulha e de não utilizar radiação ionizante.
Contudo, alguns nódulos hepáticos, em especial os pequenos, não são claramente identificados pela ultrassonografia, principalmente em fígados cirróticos, cuja textura é heterogênea. Além disso, existem lesões suspeitas de CHC que só se tornam evidentes depois de administrado o contraste intravenoso (IV). Nessas situações, a biópsia pode ser guiada por TC, inclusive com a injeção do contrate IV durante o procedimento para a confirmação da localização do nódulo.
Na prática, realizam-se imagens ultrassonográficas ou tomográficas da área de interesse, para planejamento do ponto de entrada da agulha na pele e de seu trajeto até a lesão, de maneira a evitar que sejam atingidas estruturas nobres e grandes vasos. Após a antissepsia e a anestesia, a agulha de biópsia é introduzida, com o acompanhamento por meio das imagens, e posicionada na lesão, sendo, então, retiradas as amostras.

Fonte: http://www.fleury.com.br/
