Uso da PET/CT para estudo da viabilidade miocárdica

Por: Dra. Paola Smanio, Dr. Marco Antonio Conde de Oliveira e Dr. Carlos Alberto Buchpiguel?


A tomografia por emissão de pósitrons associada à tomografia computadorizada (PET/CT) estuda a viabilidade miocárdica com base nas diferenças de metabolismo tecidual entre os diversos segmentos do ventrículo esquerdo. O metabolismo é avaliado a partir do consumo de glicose de cada segmento, que pode ser mensurado por meio da injeção intravenosa de um radiofármaco composto de moléculas de glicose marcadas com átomos de flúor radioativo – a fluordesoxiglicose (FDG) –, cuja emissã?o de radiação é identificada pelo equipamento, de maneira a realçar as áreas onde ocorre maior captação do radiofármaco. Para a determinação da presença de miocárdio viável em segmentos disfuncionais, é necessária a análise integrada da função, da perfusão e da captação de FDG. As regiões com disfunção contrátil podem apresentar diferentes padrões de imagem no método. É possível que o tecido viável exiba perfusão e captação de FDG igualmente normais ou perfusão reduzida e captação de FDG preservada. Por outro lado, áreas cicatriciais sem músculo viável apresentam perfusão e captação de FDG simultaneamente reduzidas. A porcentagem de radiofármaco captado permite classificar a extensão de músculo não viável em subendocárdico ou transmural.A verificação da existência de quantidades substanciais de miocárdio viável é crucial para o manejo de pacientes com doença arterial coronariana e disfunção ventricular esquerda, uma vez que diversos estudos demonstraram que, nesse contexto, a revascularização miocárdica proporciona melhora segmentar ou global da função ventricular e, em muitos casos, melhora dos sintomas de insuficiência de câmaras esquerdas, o que não ocorre em indivíduos que não apresentam tecido em hibernação. No que diz respeito ao prognóstico em longo prazo, há dados na literatura que mostram uma maior taxa de eventos adversos em pacientes que apresentam miocárdio viável e recebem tratamento farmacológico, quando comparados àqueles submetidos a tratamento cirúrgico, que evoluem de maneira mais favorável. Essas evidências contribuem para identificar indivíduos que poderão se beneficiar da revascularização miocárdica, de modo a evitar o alto risco de cirurgia naqueles que não obterão melhora funcional.


Fonte:

http://www.fleury.com.br/