Procedimentos endoscópicos em gastroenterologia

Por: Dra. Beatriz Sugai, Dr. Dalton Marques Chaves, Dr. Ermelindo Della Libera Júnior, Dr. Nelson Miyajima, Dra. Rachel Rohr?

Ligadura elástica de varizes

A hemorragia das varizes esofagogátricas é uma complicação freqüente nos pacientes com hipertensão portal. A profilaxia da hemorragia varicosa, poder ser realizada por tratamento medicamentoso ou endoscópico. A profilaxia primária com o uso de beta-bloqueadores não seletivos é considerada eficaz no retardo do desenvolvimento das varizes e do primeiro episódio de sangramento.

A ligadura elástica é um procedimento seguro e eficaz na erradicação das varizes de esôfago, e veio substituir a escleroterapia endoscópica, sendo indicada nos pacientes que não apresentam boa resposta ao beta-bloqueador ou nos que apresentaram sangramento pregresso dos cordões varicosos.

Quando comparada com a esclerose das varizes, a ligadura elástica apresenta menores índices de complicações e maior facilidade técnica. As sessões de ligadura elástica são realizadas a cada 15-30 dias até sua erradicação e com controles a cada 6 meses a 1 ano.

Dilatação de estenose de esôfago

A estenose de esôfago pode ser benigna ou maligna. As causas benignas mais freqüentes são: estenose péptica pela Doença do refluxo gastroesofágico, neoplasia de esôfago, ingestão de cáusticos, estenoses cirúrgicas, acalásia, entre outras.

O tratamento com dilatações endoscópicas é uma importante opção terapêutica no controle da disfagia. A dilatação pode ser feita com sondas de dilatação sobre fio guia (Savary) ou com balões dilatadores que também são introduzidos sobre um fio guia ou não, guiados por endoscopia. No centro cirúrgico do Hospital Dia dispomos de fluoroscopia para um maior controle do procedimento nas estenoses mais complexas (assimétricas, com menor calibre ou longas). Especialmente nas estenoses pépticas, o uso de bloqueadores da bomba de prótons deve ser mantido para a prevenção da recorrência.

Nos casos de acalásia a dilatação pneumática com balões de grosso calibre tem mostrado bons resultados. Nas estenoses malignas a dilatação está indicada quando o paciente não tem condições cirúrgicas e deve ser programada a colocação de prótese esofágica.

Mucosectomias e polipectomias

A ressecção endoscópica de lesões polipóides grandes apresentam maior dificuldade técnica para ressecção e cursam com maior incidência de complicações. Em especial as lesões planas de crescimento lateral com mais do que 2 cm de diâmetro, ou localizadas em posições de difícil acesso. Temos dado preferência para ressecar estas lesões no Hospital Dia para maior segurança do paciente. Como são procedimentos de maior risco é importante a anuência do médico que solicitou a colonoscopia, assim como do próprio paciente.

As lesões planas com crescimento lateral (LST – lateral spread tumor) em geral são adenomas e com potencial de malignização. São lesões muitas vezes difíceis de serem diagnosticadas e o uso de corantes auxilia na avaliação das suas características e limites. Para ressecar estas lesões empregamos a técnica de mucosectomia que diferencia-se da polipectomia pelo fato de injetarmos solução salina na base da lesão, elevando-a e assim facilitando a sua ressecção. Quando a lesão não se eleva satisfatoriamente admite-se que exista invasão da submucosa pela lesão, contra-indicando a sua ressecção.

Os acessórios necessários a estes procedimentos são todos descartáveis e solicitados exclusivamente para cada paciente. O procedimento é realizado por dois médicos endoscopistas além do médico anestesista, e do técnico de enfermagem especializado em endoscopia e circulantes do Centro Cirúrgico.

A colonoscopia de controle deve ser realizada após 3 a 6 meses do procedimento quando a ressecção é completa.

Este procedimento endoscópico pode ser realizado também em lesões do trato digestivo alto, sendo freqüentes a ressecção de adenomas de duodeno.

Gastrostomia endoscópica

Os pacientes com distúrbio da deglutição que devem permanecer com sonda nasoenteral prolongada podem beneficiar-se da colocação de uma sonda de gastrostomia por via endoscópica. Estes pacientes em geral apresentam quadro neurológico, como seqüelas de AVC, com pneumonia aspirativa de repetição.

O procedimento consiste na introdução de uma sonda percutânea após punção monitorada pela endoscopia gástrica. A transluminação da parede abdominal associada à palpação digital do abdome orientam a punção percutânea para atingir a luz gástrica.. .
Os acessórios para realização da gastrostomia endoscópica são comercializados juntamente com a sonda. O procedimento é realizado por dois médicos endoscopistas além do médico anestesista, e do técnico de enfermagem especializado em endoscopia e circulantes do centro cirúrgico.

As contra-indicações são: ascite, distúrbios da coagulação, cirurgias abdominais, ausência de transiluminação (obesidade, interposição de órgãos), hérnia de hiato grande (risco aumentado de aspiração pulmonar), estenoses impedindo a passagem do aparelho.

O paciente inicia dieta no mesmo dia ou no dia seguinte e a família é orientada com relação à dieta e cuidados com a sonda.

Colangiopancreatografia endoscópica

Hoje em dia com a utilização da colangiorressonância para o diagnóstico de lesões do trato biliopancreático, além de outros exames diagnósticos, a colangiopancreatografia endoscópica tornou-se um procedimento terapêutico. O paciente geralmente vem para uma intervenção precisa, seja a retirada de cálculos do hepatocolédoco, colocação de prótese biliar, coleta de material para citologia ou anatomia patológica.

A coledocolitíase é a indicação mais comum deste procedimento, facilitando o ato cirúrgico posteriormente ou resolvendo os sintomas nas coledocolitíases residuais. A papilotomia é realizada, seguida da extração dos cálculos com um balão extrator ou um ‘basket’. Nos cálculos grandes, a litotripsia mecânica pode ser realizada, com a fragmentação dos cálculos.

A passagem de próteses biliares nas estenoses malignas é um procedimento paliativo indicado nos tumores de pâncreas ou de colédoco que não podem ser removidos. As próteses auto-expansíveis permanecem permeáveis por um tempo maior em relação às próteses biliares plásticas. Como seu custo é maior do que as plásticas, as próteses auto-expansíveis estão indicadas nos pacientes com melhor prognóstico, pois em longo prazo o custo-benefício é favorável.

Fonte: http://www.fleury.com.br/