Pesquisa de instabilidade de microssatélites em lesões colorretais

Por:
Dr. Fernando Lopes Alberto
Dr. Aloísio Souza F. da Silva
Dra. Cláudia Regina G. C. M. Oliveira
Dra. Maria Cláudia N. Zerbini?

Segundo dados do Instituto Nacional do Câncer - INCA, RJ, os tumores malignos que acometem o cólon e o reto estão listados no grupo das neoplasias mais freqüentes em homens e mulheres em nosso meio. A maior incidência de casos ocorre na faixa etária entre 50 e 70 anos, mas as possibilidades de desenvolvimento já aumentam a partir dos 40 anos. O câncer colorretal hereditário sem polipose (HNPCC ou Síndrome de Lynch) constitui a principal síndrome hereditária de predisposição ao câncer colorretal, sendo responsável por 3% a 15% do total de neoplasias malignas colorretais. Dados da literatura revelam que cerca de 90% dos tumores de pacientes com HNPCC e 15% dos tumores esporádicos apresentam alterações genéticas em genes responsáveis pelo reparo do DNA (hMLH1, hMSH2, hMLH3, hMSH3, hMSH6, hPMS1 e hPMS2, com os dois primeiros representando cerca de 90% das situações clínicas). Mutações comprometem a função desta classe de genes, causando distúrbio na identificação e excisão de erros durante a replicação e acarretando o fenômeno de instabilidade de microssatélites (MSI). A instabilidade de microssatélites é definida como qualquer alteração no tamanho da seqüência repetitiva de DNA por inserções e deleções. Aproximadamente 50% dos casos diagnosticados de HNPCC apresentam mutações no gene hMLH1 e 30% no gene hMSH2, informação relevante para identificação de lesões com comportamento biológico e prognóstico diferentes em relação às neoplasias colorretais esporádicas.

As características que diferenciam os tumores colorretais malignos com erros de replicação (MSI) das neoplasias colorretais estáveis para microssatélites são: predomínio em localização proximal no cólon; maior incidência em idades mais precoces (abaixo de 40 a 50 anos); maior incidência de tumores múltiplos; maior incidência de tumores mucinosos; menor grau de diferenciação tumoral e melhor sobrevida.

O teste molecular de instabilidade de microssatélites realizado utiliza um painel de cinco marcadores (BAT-25, BAT-26, NR-21, NR-24 e MONO-27) analisados diretamente no tecido tumoral, habitualmente fixado e incluído em parafina. Adicionalmente, tem se tornado relevante o estudo inicial das proteínas de reparo do DNA por meio de imunoistoquímica, como opção confiável para a detecção de tumores com erros de replicação.

A pesquisa de MSI está indicada em um grupo de pacientes portadores de câncer colorretal que preencha algumas das características compatíveis com tumores com erros de replicação (Critérios de Bethesda):

Indivíduos com tumores em famílias que preencham os critérios de Amsterdam para câncer colorretal familiar não-polipóide (HNPCC)

• Indivíduos com dois tumores relacionados à HNPCC, incluindo câncer colorretal sincrônico, metacrônico ou tumores associados extracolônicos.

• Indivíduos com câncer colorretal e um parente em primeiro grau com história de adenoma ou câncer colorretal ou tumor extra-colônico associado à HNPCC. Um dos tumores malignos deve ter sido diagnosticado antes dos 45 anos e o adenoma antes de 40 anos.

• Indivíduos com câncer colorretal ou endometrial diagnosticado antes dos 45 anos.

• Indivíduos com câncer colorretal proximal pouco diferenciado diagnosticado antes dos 45 anos.

• Indivíduos com câncer colorretal com células em anel de sinete diagnosticado antes dos 45 anos.

• Indivíduos com adenomas diagnosticados antes dos 40 anos.

Portanto, a detecção de MSI em um paciente com suspeita clínica de pertencer a uma família de HNPCC tem gradativamente definido sua importância, trazendo para o clínico a oportunidade de rastreamento e diagnóstico precoce em outros membros da mesma família em risco. Além disto, poderá orientar, após aconselhamento genético, acerca da oportunidade de realizar-se nestas famílias testes de sequenciamento dos genes de reparo para a identificação das mutações presentes.

Fonte: http://www.fleury.com.br/