Hiper-hidrose

Por: Dr. Luiz Guilherme Martins Castro?


Muitas pessoas nunca ouviram falar em hiper-hidrose, no entanto estima-se que essa condição atinja cerca de 1% da população, manifestando-se de forma mais intensa em adolescentes ou adultos jovens, na maioria das vezes.

A hiper-hidrose se caracteriza por suor excessivo. Geralmente ocorre nas mãos (hiper-hidrose palmar), nos pés (hiper-hidrose plantar) e nas axilas (hiper-hidrose axilar), sem estar relacionada necessariamente com a temperatura. Quem tem esse distúrbio seguramente já ouviu comentários desagradáveis sobre “pizzas” nas axilas, já borrou provas com o suor que escorria das mãos numa hora de nervosismo ou teve de secar a mão no bolso antes de cumprimentar alguém.

Embora não se conheça exatamente o mecanismo ou as causas pelas quais isso aconteça, em alguns indivíduos o suor intenso nas mãos, nos pés, nas axilas ou na face torna-se incontrolável, podendo se acompanhar de rubor facial. Tal circunstância inevitavelmente causa embaraço, o qual, frequentemente, é seguido de uma forte ânsia de escapar daquilo que o originou. Esse quadro caracteriza uma situação denominada fobia social.

Até recentemente havia poucas alternativas para tratar essa condição. Um dos grandes avanços foi a introdução de uma técnica cirúrgica chamada simpatectomia transtorácica videoassistida, que diminuiu os riscos e inconvenientes da cirurgia anteriormente usada. Mesmo sendo menos invasiva, porém, essa cirurgia deve ser realizada sob anestesia geral, com o paciente internado, e não é isenta de riscos.

Antes de indicar uma cirurgia, porém, os dermatologistas costumam tentar tratamentos clínicos, que conseguem controlar os casos menos intensos. Entre eles, os mais comuns são os desodorantes antitranspirantes e a iontoforese. No entanto, na maioria das vezes o resultado é apenas paliativo, com efeito temporário ou mesmo nulo.

A utilização da toxina botulínica foi um marco no tratamento da hiper-hidrose. É um método altamente eficaz e minimamente invasivo. Poucos dias após a aplicação da toxina botulínica nos locais de suor excessivo, a região fica seca e deixa de suar por vários meses.

O procedimento consiste na injeção subcutânea de diminutas quantidades de toxina botulínica nas áreas afetadas e pode ser realizado em consultório ou em ambiente ambulatorial ou de hospital-dia. Pessoas mais sensíveis podem até usar pomadas anestésicas para minimizar o incômodo da aplicação.

O resultado, contudo, não é definitivo. De seis a nove meses após a aplicação, o efeito da toxina cessa e o suor volta, na mesma intensidade que havia antes.

Fonte: http://www.fleury.com.br/