Doenças pulmonares obstrutivas: condições prevalentes, mas ainda subdiagnosticadas

Por: Dr. João Marcos Salge?


Classificadas como afecções obstrutivas das vias aéreas, a asma e a doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) são as condições crônicas mais prevalentes dentre as doenças pulmonares. No Brasil, estima-se que a prevalência da asma varie entre 10% e 15% da população geral, enquanto a de DPOC está ao redor de 15% da população acima de 40 anos. Embora constituam entidades clínicas bastante distintas (quadro), têm, em comum, a ocorrência de limitação ao fluxo aéreo como mecanismo causador de dispneia e intolerância a esforços. A grande diferença é que, no caso da asma, a limitação ao fluxo aéreo é marcada pela sua reversibilidade.

AsmaDPOCManifestação clínica de inflamação episódica e reversível das vias aéreas, associada a hiper-reatividade brônquica. Os principais sintomas durante as crises são chiado, tosse e falta de ar. Inicia-se habitualmente na infância ou adolescência e frequentemente está associada à presença de atopia.

Caracterizada pela presença de limitação ao fluxo aéreo não totalmente reversível com o uso de broncodilatadores, ocasionando sintomas perenes. Acomete frequentemente indivíduos adultos, a partir de 40–50 anos de idade, e tem no tabagismo seu principal fator causal.

Considerando a prevalência, o impacto socioeconômico e o conhecimento pelos profissionais de saúde acerca dessas doenças, surpreende a ocorrência de subdiagnóstico, embora seja este um problema real. Dados referentes ao município de São Paulo, obtidos em estudo multicêntrico, revelaram que 87,5% da amostra dos indivíduos com critérios espirométricos para diagnóstico de DPOC desconheciam ser portadores dessa condição (OA Nascimento e cols - PLATINO group. Brazilian Journal of Medical and Biological Research 2007). Há também subdiagnóstico para a asma, e não somente no Brasil, mas em outras partes do mundo (SS Braman. Chest 2006). Esse cenário contrasta com a simplicidade das informações requeridas para o diagnóstico de asma e DPOC, apontando para a contínua necessidade de conscientização acerca do problema.

O laboratório de função pulmonar no auxílio ao diagnóstico de asma e DPOC
O diagnóstico de asma e DPOC é feito de maneira simples, definitiva e acurada com o auxílio das provas de função pulmonar. O exame permite o estudo dos fluxos aéreos obtidos durante manobra de expiração forçada e a mensuração dos compartimentos volumétricos dos pulmões. A identificação de limitação ao fluxo aéreo pode ser observada tanto na DPOC como na asma, podendo haver, nesta última, reversibilidade completa mediante administração de broncodilatador inalatório. Um exame normal virtualmente descarta a presença de DPOC, mas não a de asma, posto que pode ter sido realizado fora de crise.

Havendo necessidade de exame confirmatório de asma diante de prova de função pulmonar basal normal, pode ser indicada a realização do teste de broncoprovocação. Nesse exame, são administradas doses progressivas de agente broncoconstritor por via inalatória (habitualmente a metacolina), sendo a resposta funcional (magnitude da queda dos fluxos expiratórios) monitorizada e comparada com a condição basal, permitindo a identificação da hiper-reatividade brônquica característica do portador de asma.

Fonte: http://www.fleury.com.br/