Anuscopia de alta resolução

Por: Dr. Sanzio Santos Amaral, Dra. Maria Cristina Meniconi?


Introdução
Anuscopia é um exame endoscópico onde são examinados a região perianal, ânus, canal anal e a porção distal do reto. A colonoscopia, apesar de todo desenvolvimento tecnológico, ainda não conseguiu obter todos os dados fornecidos pela anuscopia. Por isso, esta ainda é considerada o exame padrão para o diagnóstico da maioria das doenças anais e perianais. A anuscopia de alta resolução é uma modalidade de anuscopia onde é utilizado um equipamento (chamado de colposcópio) que aumenta as imagens de 6 a 40 vezes. Na realização deste exame pode-se utilizar corantes que ajudarão na identificação de lesões características que não são perceptíveis na anuscopia convencional. Estas lesões podem ser biopsiadas e encaminhadas para exame anatomopatológico. Permite identificar com maior precisão as lesões perianais, anais e retais. O exame não requer sedação, é bem tolerado, pode ser realizado em todas as idades, desde crianças até idosos.

Veja também: a anuscopia e a investigação do HPV

Indicações
O exame está indicado para diagnóstico das lesões orificiais anais mais comuns como hemorróidas, fissuras, fistulas e prurido anal, como também na avaliação das lesões dermatológicas perianais. Apresenta indicação precisa no diagnóstico de enfermidades anais causadas pela infecção pelo HPV (papilloma vírus).

Hemorróidas
São veias dilatadas e tortuosas que ocorrem acima do ânus, isto é, no final do reto (hemorróidas internas), e também na borda anal (hemorróidas externas). As hemorróidas provocam grande desconforto para o paciente, pois comumente sangram durante a evacuação e podem sair pelo ânus, gerando mal estar entre outras complicações.

A prevalência desta condição na população geral pode chegar até 86 %. As hemorróidas podem ser classificadas em graus de gravidade crescente que vão de 1 (um) a 4 (quatro). A anuscopia tem importante papel neste diagnóstico e no seguimento dos casos.

Fissuras anais
São lesões ulceradas que ocorrem no canal anal que podem gerar muita dor e sangramento às evacuações. As fissuras anais podem ter várias origens. A mais comum é devido à constipação intestinal, mas também podem ser originadas pelas doenças inflamatórias do intestino como doença de Crohn e a retocolite ulcerativa.

Fístulas perianais
Fístulas são comunicações existentes entre o interior do reto e a pele perianal e são originadas mais freqüentemente após infecções (abscessos) da borda anal devido à obstrução das glândulas anais. Manifestam-se por orifícios na borda anal que secretam conteúdo líquido e fétido, incomodando em muito o paciente.

HPV ou condiloma acuminado anal
O HPV também denominado de condiloma acuminado é causado pelo vírus HPV (papilloma vírus humano). O vírus é universal e não tem preferência para sexo, cor, raça, condição social e pode se localizar em qualquer região do corpo. Considerada doença de transmissão sexual, mas também há transmissão não ligada ao sexo, como na gestação e ao nascimento e, simplesmente, pelo contato. É doença sexualmente transmissível mais comum e também considerada pré-cancerígena, visto que, pacientes que apresentam esta enfermidade no ânus podem ser acometidos de câncer do canal anal. A infecção pelo HPV atinge 40% da população sexualmente ativa. Nos EUA atinge de 15% a 50 % da população feminina e 22,4% dos homens apresentam a doença no canal da uretra. A doença acomete mais freqüentemente pessoas imunodeprimidas como portadores de transplantes e pacientes com AIDS (HIV +). O HPV é a doença anal mais freqüentemente encontrada nos HIV +. Acomete 61% e 17% de pacientes HIV+ e HIV-, respectivamente. Existem três formas de apresentação do HPV: a) Forma clínica onde as lesões apresentam forma de verrugas que são visíveis ao olho nu. Esta forma também compreende a chamada “crista de galo”. A forma clínica ocorre em somente 1% dos pacientes; b) Forma subclínica (apresentação mais comum) que, na maioria das vezes, é assintomática ou apresenta sintomas incaracterísticos como prurido anal, ardência, umidade ou dor na relação sexual; c) Forma latente onde não há sintomas e, tampouco, a anuscopia de alta resolução pode diagnosticar. Somente podemos identificar a presença do vírus com técnicas especiais de biologia molecular. A anuscopia de alta resolução é exame muito importante no HPV, visto que, nos homossexuais receptivos, 72% apresentam lesões intra-anais e 94% dos pacientes que não realizam anuscopia não conseguem ter o diagnóstico abrangente da infecção, o que resulta em tratamentos inadequados e risco de recorrência. Este exame consegue fazer o diagnóstico precoce do HPV na sua forma de manifestação mais comum que é a subclínica (onde a anuscopia convencional não consegue visualizar as lesões). Cinqüenta e sete por cento (57%) das mulheres que apresentam neoplasia de colo de útero apresentam HPV anal. O diagnóstico e tratamento da doença é ainda motivo de divergências, o que contribui para questões de difícil controle dos indivíduos acometidos, como problemas psicossociais acentuados repercutindo na sexualidade, produtividade e equilíbrio familiar.

Em resumo, a indicações de anuscopia de alta resolução são:
1. Presença de lesão HPV + na região genital masculina ou feminina;
2. Mulheres com neoplasia de colo de útero;
3. Mulheres com neoplasia de vulva extensa;
4. Prurido anal;
5. Pacientes HIV +;
6. Imunodeprimidos;
7. Homossexuais masculinos
8. Hemorróidas, fissuras e fístulas anais

Fonte: http://www.fleury.com.br/